Isso, isso, isso: saiba o que faz as personagens femininas de Chaves serem tão foda

Será que é possível não ficar triste após a morte de Roberto Bolaños, criador e intérprete do personagem principal de séries como Chaves? Reprisada eternamente e nos mais diferentes horários pelo SBT, aqui no Brasil, a série marcou a vida de crianças (e adultos também) de diversas gerações. Além de ter um humor ímpar, a série traz personagens ótimas, especialmente as femininas, ou você nunca parou pra notar o quão foda são a Dona Florinda, a Bruxa do 71 e a Chiquinha? Se você estava distraído demais rindo pela milésima vez das piadas e nunca percebeu isso, a gente te mostra!

Sem precisar de homem pra nada

Não importa se você ama ou detesta a personagem, não pode negar uma coisa: Dona Florinda coloca todos os homens da série no chinelo. Viúva e independente, ela cria sozinha o seu filho único, Quico (o que, convenhamos, não deve ser a tarefa mais fácil do universo). A mulher também é uma microempresária, dona do seu próprio restaurante (criativamente batizado de Restaurante da Dona Florinda), o que ainda não era lá muito comum e mostra ainda mais a sua independência, considerando o ambiente e a época em que a série se passa.

Dona Florinda não apenas é autossuficiente financeiramente, sendo capaz de ditar suas próprias regras e não ter que dar satisfação a homem nenhum, como também não precisa do sexo masculino para defendê-la. Ela mostra que a mulher tem força o suficiente para enfrentar de frente os seus problemas e defender a si mesma e ao seu filho de outras pessoas, como o Seu Madruga (por mais que muitas vezes ele não fosse o real culpado, passa claramente o recado de que ninguém mexe com a família dela sem sofrer as consequências).

Solteira e bem resolvida

Dona Clotilde (a.k.a. Bruxa do 71) é uma mulher mais velha, solteira e muito da bem resolvida. Assim como a Dona Florinda, ela também se sustenta sem o auxilio de homem nenhum (apesar de não ficar muito claro como a senhora – ou melhor, senhorita – ganha o seu dinheiro). Tendo uma idade mais avançada, a mulher ainda é solteira, sofrendo muito preconceito por isso (afinal, lembremos novamente que estamos numa comunidade pobre mexicana dos anos 70, época em que o feminismo ainda tem pouquíssima força e as mulheres estão apenas começando a conquistar os seus direitos).

É até bastante provável, apesar de não podermos afirmar com certeza, que é esse preconceito por nunca ter se casado a razão pela qual ela é tão insistentemente chamada de “bruxa” (porque, vai, não pode ser apenas por ela ter dado o nome do seu cachorrinho de Satanás). Apesar de ser constantemente chamada de bruxa, não apenas pelas crianças, mas também pelos adultos, Dona Clotilde estava sempre com a cabeça erguida.

Além disso, Dona Clotilde não tem medo de lutar pelo que quer (e isso inclui sim lutar pelo homem que quer). Diferente do costume, em que a mulher fica bem quietinha, apenas esperando que o homem tome uma atitude, ela não tem medo de deixar muito claro o seu interesse romântico pelo Seu Madruga (e o interesse é apenas romântico mesmo, porque não é como se ela não vivesse muito bem, obrigada sem ele). Mesmo com o fracasso de todas as suas tentativas de se envolver com o vizinho, Dona Clotilde não se abala e continua suas tentativas, afinal, quem espera sempre alcança, né?

Feminista desde criança

Uma das personagens mais carismáticas é a menina de sete anos, Chiquinha. E a gente pode dizer também, sem favor nenhum, que ela é a criança mais esperta do programa (ainda mais se compararmos o seu pensamento rápido com a lerdeza de Quico e a ingenuidade de Chaves), assumindo muitas vezes o papel de líder da turma nas brincadeiras. Além disso, ela é uma garota que sabe muito bem o que quer e faz tudo para conseguir isso (seja pela base da birra ou desobedecendo algumas ordens que seu pai lhe dá).

A garota também não se prende aos rótulos de “de menina” e “de menino” quando o assunto é brincadeiras, gostando desde fazer bolinhos de barro para se divertir, até jogar futebol com os meninos. Chiquinha também se diz uma feminista convicta, o que se mostra bem no episódio em que fala da “liberação feminina”, em que “as mulheres vão sair para trabalhar e os homens vão ter os filhos”.

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